Fertilizantes
Há cerca de trinta anos atrás o Brasil importava a grande maioria dos fertilizantes necessários para atender a crescente demanda interna. Grandes investimentos foram então realizados na implantação de um parque industrial que atendesse tais demandas e aproveitasse racionalmente os recursos naturais disponíveis no País. Nesse cenário foi estabelecido o presente Convênio, cujo primeiro desafio foi de aproveitar as jazidas brasileiras de fosfatos de rocha, reconhecidamente de baixa concentração e solubilidade. Todo um esforço foi desenvolvido para desenvolver rotas tecnológicas industriais visando o processamento e a transformação destes fosfatos, em produtos com potencial de uso comercial. Tais produtos ou fontes foram testadas agronomicamente em várias regiões e com diversas culturas, fornecendo informações valiosas para definir a estratégia mais adequada para o País, cujas rotas estão hoje em funcionamento pelo parque industrial do setor de fertilizantes.
Em termos de nitrogênio, a decisão em investir na produção de uréia teve como um dos fundamentos a disponibilidade de derivados de petróleo para uso como fonte de hidrogênio. Outro fundamento foi o custo inferior da unidade de N como uréia quando comparado ao das demais fontes de fertilizantes nitrogenados. Contudo, talvez o aspecto mais importante para tal decisão teve origem dos resultados oriundos da pesquisa agrícola, caracterizando a eficiência da uréia como fonte de fertilizante e de suplemento para a alimentação animal, conforme mostrado anteriormente.
Com relação ao potássio, além do aproveitamento da jazida de Sergipe, esforços foram direcionados para utilização de matéria primas alternativas, como a Kalsilita. Embora de pouco uso atual, tais tecnologias poderão de utilidade no futuro, principalmente se houver restrições à importação de KCl.
A tecnologia desenvolvida para uso agrícola do gesso, principalmente na Região do Cerrado, representou o aproveitamento de um subproduto da indústria como condicionador de solos ácidos e/ou fornecedor dos macronutrientes cálcio e enxofre, e hoje é amplamente utilizado na agricultura.
Suplementos para Alimentação Animal
Tendo em vista o potencial da adição de uréia pecuária em materialde cana-de-açúcar moído, a pesquisa, principalmente as realizadas no âmbito do Convênio, selecionaram variedades de cana-de-açúcar mais apropriadas para utilização na pecuária leiteira, potencializando características desejáveis como maior produtividade, maiores níveis açúcar, escalonamento de maturação (precoce, média e tardia), resistência a doenças, baixos índices de florescimento e adaptação às condições adversas de solo e clima.
A tecnologia da “cana com uréia”, como ficou conhecida em todas as regiões produtoras de leite do Brasil, veio simplificar o processo produtivo do leite, ao substituir a silagem de milho, que requer técnica mais sofisticada e cara, por processo mais simples e barato. A intensificação do seu uso aconteceu principalmente a partir de meados da década de 1980, sendo a sua divulgação direcionada para os produtores que utilizam animais de baixo a médio potencial de produção, tendo em vista que, para vacas puras e de alto potencial produtivo a tecnologia não é adequada. Estes são, no entanto, casos menos comuns na média brasileira, tendo em vista a predominância de rebanhos com potencial produtivo médio inferior a dez litros de leite por dia. Pode-se afirmar que a tecnologia da “cana com uréia” é adequada para mais de 95% dos produtores de leite do País.
A alimentação dos animais com cana-de-açúcar enriquecida com uréia, na época da seca, pode reduzir o custo da alimentação volumosa dos animais em até 20%, quando comparado com o custo da alimentação tradicional com outros volumosos como, por exemplo, a silagem de milho. Estudos feitos na Embrapa Gado de Leite, no ano de 2000, estimaram que, para o conjunto de produtores de leite do Brasil, os benefícios econômicos anuais derivados da adoção desta tecnologia foram de aproximadamente R$ 172 milhões.
Convênio também é o principal responsável pela implementação, a nível nacional, da tecnologia de associar a uréia, como fonte indutora de proteínas bacterianas, a componentes minerais essenciais, numa mistura que passou a ser denominada de Mistura Múltipla ou Sal Proteínado.
A partir de 1996 a Embrapa fez ajustes na formulação original da Mistura Múltipla e desenvolveu uma mistura especial para ser utilizada também na época das águas. Esta nova formulação recebeu o nome comercial de Sal Energético. Mais recentemente os fabricantes de suplementos minerais passaram a denominar estes dois produtos como "sais energéticos-proteicos".
Tais misturas substituem, com grande vantagem, os concentrados minerais convencionais, apresentam baixo custo, preparo e manejo simples e podem ser produzidas diretamente pelos criadores, em suas próprias fazendas. De forma agregada pode-se afirmar que com o emprego desta tecnologia foi possível reduzir significativamente a sazonalidade da produção brasileira de carne, um dos graves pontos de estrangulamento da pecuária de corte nacional. |